A mensagem da cruz

“Me diga como ele morreu.” “Vou lhe dizer como ele viveu.”

Filme “O Último Samurai”, de 2003

Por que seguir aos ensinamentos de Jesus Cristo? Ouvimos de muitos cristãos experientes a resposta “Porque ele morreu por nós”, “Porque deu sua vida para que nós tenhamos a vida eterna”, “Porque morreu pelos pecados do mundo”.

Assumindo a hipótese de que Cristo não tivesse tivesse sido morto, deveríamos deixar de segui-lo, ou ignorar seus ensinamentos?

Durante seu ministério na Terra, Cristo reafirmou por várias vezes o centro de sua mensagem: o amor.

“O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.”

João 15:17

Em João 15, Cristo exalta o amor como centro de todo o seu ensinamento. Afirma no versículo 6 que “Se alguém não permanecer em mim será lançado fora”; para permanecermos em Cristo com constância, o próprio afirma no versículo 10 que “Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor”. Ele conclui a linha de raciocínio no versículo 12, ao afirmar qual é o seu mandamento:

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.”

João 15:12

Cristo, ao longo de sua vida terrena, nos deu várias demonstrações de como amar ao próximo, seja por meio de uma palavra consoladora, seja por meio de ações.

Demonstrou amor incondicionalmente: espalhou sua palavra de amor às multidões, compostas de pessoas não tão abastadas, bem como aos abastados e importantes como Zaqueu ou mesmo Nicodemos.

O amor apregoado por Cristo rompe quaisquer barreiras.

Um exemplo é o rompimento da barreira étnica demonstrado à mulher cananéia em Mateus 15.

Rompeu até barreiras hierárquicas tradicionais, como a familiar consanguínea, ao afirmar em Mateus 12:50: “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”. Todos somos uma família, pelo amor.

Cristo nos demonstrou que devemos amar porque é o certo a fazer. Esse era seu mandamento. Essa era a sua mensagem.

Logo, não devemos seguir a Cristo meramente por reconhecimento de seu sacrifício. Devemos seguir a Cristo porque ele próprio é o amor, por meio de sua mensagem, e o amor é o correto a fazer.

Portanto, a mensagem da cruz não é meramente a expiação de nossos pecados: é a afirmação máxima da prática do amor. Ele próprio diz isso em João 15:13: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.”.

Finalmente: Cristo vive! Não apenas espiritualmente, mas também em nós por meio de seu ensinamento, o amor, pois ele próprio era o amor.

Que não crucifiquemos o Cristo que há em nós: mantenhamos o amor vivo, aceso, incondicionalmente.

Odeio sorvete de pistache

Odeio sorvete de pistache. Sério, o gosto é muito ruim. É nojento, repugnante, repulsivo. Ninguém deveria comer isso. Aliás, não deveria nem mesmo existir o direito de alguém comer uma coisa ruim dessas. Devia ter uma lei proibindo.

Já começa que o sorvete é verde. O único sorvete verde aceitável é o de limão, e olhe lá.

Aí vem o gosto. Cara, o gosto é inaceitável. É terrível. Uma pessoa que goste de sorvete de pistache só pode ter algum problema mental; deveria ser tratada para corrigir esse desvio de comportamento.

Se eu tivesse uma sorveteria, jamais faria o de pistache. Além disso, tentaria convencer a todos que o sorvete de pistache é um erro! É um desperdício de matéria prima! O sorvete é feito para ser gostoso, ou seja, tudo aquilo que o sorvete de pistache não é. Fabricar sorvete de pistache é um erro, e deve ser corrigido.

Inclusive, realmente creio que deveríamos instituir uma lei proibindo a fabricação e consumo do sorvete de pistache. Precisamos de um meio legal de impedir essa coisa horrenda. Isso, façamos uma lei. E, adicionalmente, vamos prover tratamento psicológico (talvez psiquiátrico) a quem gosta de sorvete de pistache; é anormal. É um desvio. Isso vai destruir a nossa sociedade. No âmbito sorvetístico, claro.


O quão ridícula é essa história que contei aí em cima?

Toda ela é.

De fato, a única verdade contida nela é minha real repulsa pelo sorvete de pistache. Gosto pessoal meu. Não gosto desse sabor.

Contudo, minha repulsa ao sorvete de pistache jamais justificaria revoltar-me contra quem goste de tal sabor. Não há lógica em querer proibir as demais pessoas de comer esse sorvete só porque eu acho horrível. É assim que essas pessoas são. Não escolheram gostar do sorvete de pistache; só ocorre que gostam.

Elas podem não gostar do de flocos. Eu amo. É o meu favorito. Contudo, se alguém não gostar do de flocos, não me impedem de saboreá-lo. Não há razão para que essa pessoa hipotética faça algo que me impeça de comer o sorvete de flocos. Não escolhi gostar do sorvete de flocos; eu só gosto dele, pronto.

Suponhamos que você seja uma pessoa que goste do sorvete de pistache. Só para o exemplo.

O principal motivo pelo qual não faço nada contra o sorvete de pistache (ou contra você, por apreciá-lo) é: a minha vida não muda em nada por você gostar e comer o sorvete de pistache; o sorvete de pistache não influencia em nada a minha vida. Se você come este sorvete, minha vida não se altera em nada. Isso não tem nada a ver comigo. Não me atrapalha, não me ajuda, não me escandaliza.

Logo, não há razão lógica para que eu lhe impeça de saborear o seu sorvete de pistache.

Ainda, tem a empatia: assim como não tem um porquê de eu impedir o seu pistache, não ha motivo de você impedir o meu flocos. Afinal, é uma via de mão dupla aqui.

Você tem o direito de comer o seu pistache. Eu tenho o direito de comer o meu flocos.

Você tem o direito de ACHAR que comer o de flocos é um erro. Eu tenho o direito de ACHAR que comer pistache é um erro.

Você NÃO tem o direito de impedir meu flocos. Eu NÃO tenho o direito de impedir seu pistache. Por que? Porque o seu pistache não me influencia em nada, não tira nenhum direito meu, nem cerceia minha liberdade, nem me põe obrigações. O oposto (meu flocos) também é verdadeiro.

Então, minha gente, por que raios deveríamos impedir a união civil homoafetiva (popularmente casamento gay civil)? A fórmula é a mesma.

Está mais do que na hora de garantir esse direito a tantos e tantas que há tanto esperam para desfrutá-lo.

A união civil homoafetiva não interfere em coisa alguma na vida daqueles que não são homoafetivos! Ninguém é obrigado a gostar ou a exaltar! Assim como ninguém é obrigado a gostar ou a exaltar as uniões heteroafetivas!

Ainda: os homoafetivos não querem convencer ninguém a virar gay junto com eles. Eles querem é que eles, entre eles, possam se unir e ter seus direitos reconhecidos!

Pessoas, se coloquem nos sapatos umas das outras!

Não entendeu? Explico no popular: dois caras ou duas minas se casando no civil não interferem em nada na sua vida! Ou na minha! Ou na de quem quer que seja! Só na deles! Por que um homem e uma mulher podem reconhecer união no civil, e dois “iguais” não? Não há argumento lógico!

Não me venha com o argumento: dois iguais não reproduzem. Explico.

Primeiro, isso é uma obviedade científica. Todo mundo sabe disso. Além disso, tem muitos “não-iguais” por aí que também não reproduzem, e por opção! Tão aí os comprimidinhos e saquinhos de borracha para provar.

Segundo, a perpetuação da espécie não está ameaçada por pessoas do mesmo sexo poderem assinar um papel. Vão continuar existindo tantos heterossexuais quanto hoje, tão aí eles pra garantir esse precioso papel da mãe natureza. (Ainda, sem contar os vários casais homoafetivos que são melhores pais adotivos que muito hetero biológico por aí.)

Terceiro: que raios perpetuação de espécie tem a ver com o direito de união civil de um casal?

Também não use o argumento de que é nojento. Mais nojenta é sua falta de empatia. Não é porque um casal é homoafetivo que vai sair se pegando pela rua. Aliás, vejo mais casais hetero do que homo se pegando pelas ruas exageradamente. Onde está o nojo agora?

E o argumento final: Deus odeia e condena essa gente, e vão todos para o inferno!

Sobre este, eu falarei em outra ocasião, com mais detalhes, em outros posts, porque dá pano para manga. Mas vou deixar aqui frases para reflexão que resumem minha resposta para o argumento divino:

Fui criado a minha vida toda em lar cristão protestante (metodista, mais especificamente). Ainda me julgo Cristão, só que um esclarecido. Só fui ter certeza plena de minha fé após questioná-la. Assim, pude aprimorá-la e ter argumentos minimamente convincentes para mim mesmo (quiçá para os outros). A fé cega é extremamente prejudicial. É um erro considerar a Bíblia como palavra direta da boca de Deus. A Bíblia foi escrita por homens, para homens, e influenciada por contextos históricos, geográficos e políticos ao longo de séculos. Foi copiada diversas vezes, traduzida, retraduzida, logo, incoerências ou incorreções são normais. Estude e vai ver que isso é verdade. Leia a respeito. As igrejas não podem negar isso oficialmente pois é a verdade. Jesus Cristo pregou amor, compaixão e tolerância. Ele sim deve servir de espelho. Os apóstolos eram boa gente, mas eram gente como a gente; também tinham suas opiniões pessoais (e influenciadas pelo ambiente e sociedade em que viviam) e que em nada se ligavam àquilo que Jesus Cristo falou. Leia a Bíblia com atenção e sem medo de questionar a si próprio. Os gays não querem obrigar as igrejas a casar gays. Parem de paranóia. Querem é casar no CIVIL.

Se eu consegui fazer você pensar pelo menos um pouquinho a respeito, já valeu a pena.

Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, mas tenha respeito.

Tenha empatia. Se coloque no lugar dos outros. Trate os outros como gostaria de ser tratado. São regras básicas de convivência.

A demonização do hardware

O hardware foi e sempre será peça fundamental em uma solução computacional; sem ele, de nada servem os algoritmos, cálculos de complexidade, modelagens, e tudo o mais que os desenvolvedores de software fizerem. Ele sempre foi um aliado do programador. Hoje, é demonizado em massa por esses mesmos profissionais. O quê ocorreu?

Recentemente, assisti a uma palestra sobre desenvolvimento de software, na qual era apresentada uma linguagem de programação a qual eu particularmente não tinha domínio. Uma grande palestra, bastante expositiva, muito empolgante, mas em determinado momento, ouvi do palestrante (um desenvolvedor de software) algo assim:

E aqui, temos esta abstração x, e graças a ela não tenho que me preocupar com memória…

Sou desenvolvedor web. E, neste meio, tenho visto com cada vez mais frequência estes jargões: “tal coisa é boa porque não tenho que me preocupar com memória”, “tal outra é perfeita, pois não preciso me preocupar com hardware”, e assim por diante.

Em que momento da nossa história passamos a demonizar o hardware? Ele não tem nada de assustador; pelo contrário: ele é a ferramenta por meio da qual executaremos nosso software. É bom conhecê-lo, assim como é bom conhecer as ferramentas disponíveis antes de realizar qualquer trabalho.Conhecê-lo mais a fundo nos dá as bases de como desenvolver um software melhor para rodar nele!

Não há porque sentir medo de segurar um martelo, caso você precise bater em um prego. Não há porque sentir medo do hardware: ele não é um inimigo do software.

Já ouvi muito de diversos programadores (não so da área de web) que qualquer coisa que “desça ao hardware” é muito difícil e que deve ser evitada. Ponteiros por exemplo.

Quando digo que trabalhei por cinco anos programando para web em C e que eu utilizava ponteiros, é comum que me respondam: “ponteiros são muito difíceis de se usar”, “prefiro uma linguagem em que eu não tenha que usar ponteiros”, “tá louco? Mexer com memória???”.

Ora, que acontece aqui? É medo do hardware? Preguiça de entender ponteiros? Eu não entendo o porquê de serem ruins. Fossem uma abominação já teriam sido extintos.

Há um argumento que quase sempre me é dito, e que para mim não tem lógica alguma: “programar olhando para o hardware impede que meu software rode em qualquer hardware, portanto, temos que ter abstrações que nos permitam não nos preocupar com ele”.

As pessoas pensam que abomino abstrações! Contudo, olhar para o hardware (para a memória por exemplo) requer uma abstração! Ponteiros são uma abstração à memória! Ninguém está falando de desenvolver software para um hardware específico! Abstrações como ponteiros te permitem justamente fazer um software que vai funcionar em qualquer máquina onde uma alocação de memória funcione (isso para dar um exemplo). Não importa a quantidade de memória, como esta memória é fisicamente construída, etc.

Ou seja, hoje é moda que se coloque uma camada de abstração adicional acima das abstrações já existentes, com o intuito de não se ver o hardware.

Outro argumento comum: “é custoso (em tempo) desenvolver olhando para o hardware”. É tão custoso quanto aprender uma abstração nova para não se olhar para o hardware. Ele é a ferramenta utilizada para executar nosso software. Olhe para ele. Use-o. Esgote-o!

E o argumento final: “Hardware não importa. Ele é barato. Se necessário fazemos upgrade. O que precisamos é de um software, e rápido!”.

Quanto a isso, digo: imagine o quanto se pode fazer com um hardware singelo, caso otimizássemos nossos softwares. Um software que consome pouca memória e pouco processamento vai rodar em qualquer merda de máquina. Vai rodar em um hardware mais barato (economia). Vai rodar mais rápido. Vai atender mais usuários e em menos tempo. E o custo disso é: formar melhores desenvolvedores. Há um custo inicial para isso? Sim. Mas é um custo inicial para benefícios de uma carreira inteira (literalmente).

Formar melhores desenvolvedores nos traz economia de hardware, e software de melhor qualidade. Ainda, software em menos tempo (geralmente, claro).

O medo do hardware é comum, principalmente em programadores iniciantes. Uma experiência um pouco mais próxima dele (como programação embarcada) pode ser de grande valia para a perda desse temor. Foi para mim.

Perca o medo do hardware. Ele é seu amigo. Ó que bonito.

Finalmente, uma luz no fim do túnel: o interesse crescente da comunidade por iniciativas com controladoras programáveis (hardware!), como o Arduino. Torço para que se popularize, e para que os jovens programadores percam esse medo que até agora foi crescente.

Formemos melhores programadores. É bom, é útil, é econômico, e é um grande investimento.

E aos programadores: por favor, preocupem-se com a memória!